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quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

“Deus não é patente registrada de compositores gospel”, diz Banda Resgate

Entrevista exclusiva discute idealização de gênero, música secular e casamento
Com quase 30 anos de estrada, a Banda Resgate proclama ao mundo um rock n’roll inteligente e criativo. O grupo, formado por Zé Bruno, Hamilton Gomes, Marcelo Amorim e Jorge Bruno, já tocou por todo Brasil e fez apresentações nos EUA, Europa, África e América Latina. O lançamento do seu primeiro trabalho foi em 1991, de forma independente e ainda em vinil. Depois disso, Resgate lançou mais 14 CDs e 5 DVDs.

A banda tem, literalmente, uma longa história para contar e por isso o portal Gospel Prime fez uma entrevista exclusiva. Para início de conversa, os rockeiros destacaram que o objetivo do grupo é mostrar a perspectiva da vida com Deus através de suas canções, que por sua vez, são inspiradas em situações comuns do cotidiano.
Após tantos anos juntos, eles já pensaram em desistir e desfazer a equipe, mas continuam porque amam o que fazem. “Banda é um casamento, em maio completaremos 29 anos, e algumas vezes já pensamos em parar. Os motivos foram diversos, mas ainda temos os principais pra continuar. Gostamos do que fazemos, ainda tem gente que ouve, e cremos que Deus nos uniu”.
Por mais que muitas pessoas julgam glamorosa a vida de artistas gospel, a banda disse ter enfrentado momentos delicados durante sua trajetória. “Já fomos feitos reféns em um hotel por não pagamento do contratante, já comemos feijão cozido que caiu no tapete do carro e até feijão emborrachado (sem saber, é claro). Já comeu xis-salada sem hambúrguer?”, perguntaram eles e logo responderam: “Nós já!”.
Hoje eles recordam momentos como esses entre risadas, no entanto, já viveram outras circunstâncias mais sérias como o preconceito por associarem o rock a Deus. “Sempre houve preconceito, mas nunca direto. Seja de quem nos convidava ou convida por que quer nos ouvir. Mas sabemos que sempre houve. Depois de 29 anos, evoluímos, hoje, além do rock, muitos não gostam por causa das letras”, ressaltaram.
O rock, nascido nos anos cinquenta, sempre causou impacto na história e nos jovens que, em sua maioria, usavam um estilo mais rebelde inspirados em cantores e bandas. O tempo passou, mas essa ousadia sempre será a característica principal do gênero. No entanto, como o cristão deve equilibrar essa “liberdade” sem transgredir a palavra de Deus?
“Esse problema só tem quem confunde liberdade com autonomia, liberdade com independência. Livres do pecado, mas dependentes de Deus. Quanto à ‘transgredir a bíblia’, como foi perguntado, vivemos num cenário de hermenêutica multifacetada. Sempre vamos encontrar diferentes interpretações sobre assuntos como esses”, responderam.
Os integrantes da banda Resgate alegam que dentro desse contexto se sentem livres para ouvirem tanto músicas seculares, quanto cristãs. “Não fazemos diferença entre música de Deus e música ‘mundana’. Fazemos diferença entre música boa e musica ruim, seja cristã ou não. Tem coisa boa e coisa ruim em todo lugar. Deus só está na musica de um cristão? Não, Deus está em qualquer lugar. Deus não é patente registrada de compositores gospel. Pensamos assim. Examinamos tudo e retemos o que é bom, como diz as Escrituras”.
Outro pensamento contrastante da equipe se da em relação à idealização de gênero, assunto mais comentado nos últimos meses. Para eles, é preciso pregar apenas o evangelho que transforma e não ditar comportamentos. “Na verdade pregamos o evangelho que transforma. Não pregamos comportamento, comportamento é fruto da transformação e campo de exercício da tolerância e da comunhão. Por isso, quanto mais ensinarmos a vida de Cristo, mais nos assemelharemos à sua imagem, e se somos transformados na imagem de Cristo então tudo está resolvido. Queremos resolver o assunto de maneira superficial, com discussão sobre o que “pode” e o que “não pode”. Isso não resolve”, explicaram.
Esse tema tem gerado grandes repercussões, assim como a fragilização das famílias evangélicas que estão se desfazendo por causa da falta de comunhão com Deus. Sobre esse dilema o grupo afirmou: “nossa preocupação não deve ser ‘como casamentos se desfazem’, mas sim ‘como casamentos se fazem’. Se dois indivíduos já negaram-se a si mesmos, tomaram cada qual a sua cruz e passaram a seguir a Cristo, com certeza encontrarão o caminho do arrependimento e reconstrução”, opinaram eles a cerca da reconciliação matrimonial.
Além de exporem suas visões sobre a família brasileira, a banda também não poupou criticas a uma nova realidade que vem tomando conta dos cristãos. “Enquanto a fé se basear em poder para se angariar mais posses e lucro, mais o caráter individual voltado para o prazer será potencializado, isso vale para o casamento e qualquer outra relação. Nossa preocupação deve ser semear o evangelho do reino, ensinar o caráter de Cristo e confiar na obra do Espírito Santo que habita em cada um de nós”, completaram.

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